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The Dandy's Dream


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In the living room he writes and, looking at the opened window, he sees a stick shaking with the wind - is it a plant growing on the old walls of the building - but then it starts moving on its own - what is it - its growing now, approaching the window sill - what is it - two black eyes look straight at him - what is it - and finally the giant lobster reveals herself, getting inside the flat without asking permission, jumping on the floor, not even giving him time to close the window and leave this animal freak outside. It's approaching now and he can't move. He's stick to the chair, he no longer controls his members. The lobster is getting closer - what does she want - finally touching his leg and slowly beginning to climb towards him. She looks at him straight in the eyes and fixes her look, those penetrating black eyes, there, starring - aren't they sweet those eyes - they stare. He looks around. All walls were replaced by big grey rocks and the wooden floor is now millions and millions of sand grains. He no longer breeds, though he doesn't need it. The air is heavier, though it's water, and the giant lobster is no longer giant, but as small as a regular lobster - how big is a lobster - maybe even smaller now - it looks so much smaller - she goes to the sand and goes do what lobsters do. The other lobsters, however - there are many - look at him frightened. They stare, it seems they can barely move, and they shake as he approaches them. "I mean you no harm", he thinks, or he says - he's not sure - "I just want to know what's going on" - but he doesn't know what's going on. The first lobster wants him to follow her. He does. She's going somewhere - where's she going - a hole full of light - is it a cave - she gets in, he follows her. There is light.

He's breathing again and the air is air. There are loads of noise. He adjusts his eyes to the light. On a big table, a group of men and women eat in a not very pretty way. They speak as they chew and rests of meat jump out of their mouthes - is it meat - they're noisy and they're ugly they barely look human - are they human - and they don't eat meat, dozens of lobsters are being devoured, he recognizes a pair of shiny black eyes - aren't they sweet - he looks at the giant lobster, she looks back at him - those sweet black eyes. He's cold now and the intense light is taken by darkness. He doesn't recognize the soil he's standing on. It's unstable. He feels the giant lobster is standing next to him but apart that, nothing. Just darkness, cold and an unstable soil. But suddenly a big light and a big bang follows, it's far but he can see the silhouette of hundreds of men running and firing at each other, then another big bang with a light, he looks around him. The soil is not unstable. He's standing over the dead bodies of thousands of men - why are they killing each other. The lobster looks at him with those big, shining and sweet black eyes - they're so sweet.

The alarm rings and he wakes up. It was a dream of course. We already knew it. Just a dream - giant lobsters - a silly little dream. It's time to wake up now, pack his bag and go to the airport. "What a strange dream," he thinks as he goes to the shower - war, dead bodies - just a dream - noisy people devouring lobsters - silly dream. As he leaves the hotel and arrives at the airport he still thinks about the dream. Well but it was only a dream. In the real world there are no climbing giant lobsters or men that can live under water - silly dream - in the real world we respect animals and we respect each other - silly little dream - in the real world we don't kill other human beings. Yes, that's right, we don't. It was only that: a dream.

PtEle escrevia na sala de estar quando, ao olhar para a janela aberta, viu um pauzinho a abanar com o vento - será uma planta que cresceu nas paredes velhas do prédio vizinho - mas depois começa a mexer-se por si próprio - o que será - está a crescer agora e a aproximar-se do parapeito da janela - o que será - dois olhos negros olham-no fixamente - o que será - e finalmente a lagosta gigante entra pela casa a dentro sem pedir permissão, saltando para o chão, sem lhe dar nem o tempo de reagir e fechar a janela, deixando esta aberração do lado de fora. Ela aproxima-se agora e ele não se consegue mexer. Está preso à cadeira e já não tem qualquer controlo sobre os seus próprios membros. A lagosta aproxima-se - o que é que ela quer - e finalmente toca-lhe na perna, começando a trepar por ela acima, lentamente. Ela olha-o directamente nos olhos e fixa o seu olhar, aqueles olhos negros e penetrantes, ali, a olhá-lo - não são doces aqueles olhos - olham-no. Ele olha à sua volta. Todas as paredes foram substituidas por grandes rochas cinzentas e o chão de madeira transformou-se em milhões de grãos de areia. Ele já não consegue respirar, mas afinal já não precisa de o fazer e o ar está mais pesado, mas afinal é água e a lagosta gigante já não é gigante, mas tão pequena quanto uma lagosta normal - quão grande é uma lagosta - talvez até mais pequena agora - parece tão mais pequena - ela vai para a areia e vai fazer o que as lagostas fazem. As outras lagostas, contudo -há muitas - olham-no assustadas. Elas olham-no, parece que não se conseguem mexer e tremem quando ele se aproxima. "Não vos vou fazer mal" - pensa, ou diz, não tem a certeza - "Apenas quero saber o que se passa" - mas ele não sabe o que se passa. A primeira lagosta quer que ele a siga. Ele fá-lo. Ela vai para algum lado - para onde vai ela - um buraco, cheio de luz - será uma gruta - ela entra, ele segue-a. Há luz.

Ele respira de novo e o ar é novamente ar. Há imenso barulho. Ele adapta os olhos à luz. Numa grande mesa, um grupo de homens e mulheres comem de uma forma não muito bonita. Eles falam enquanto mastigam e restos de carne saltam-lhes da boca - será carne - são barulhentos e feios, quase não parecem humanos - serão humanos - e não comem carne. Dezenas de lagostas são alarvemente devoradas, ele reconhece um par de olhos pretos brilhantes - não são doces aqueles olhos - ele olha para a lagosta gigante, ela olha para ele - aqueles doces olhos pretos. Ele tem frio agora, e a luz intensa é substituida pela escuridão total. Ele não reconhece o solo sobre o qual está. É instável. Ele sente que a lagosta gigante está a seu lado mas, para além disso, nada. Apenas escuridão, frio e um solo instável. Mas de repente um grande clarão e estrondo sucedem-se, deixando-o distinguir ao longe a silhueta de centenas de homens que correm e disparam uns contra os outros. Depois, um outro clarão e estrondo. Ele olha à sua volta. O solo não é instável. Ele está sobre os cadáveres de milhares de homens - porque se matam uns aos outros. A lagosta gigante olha-o com aqueles grandes, brilhantes e doces olhos negros - são tão doces.

O alarme toca e ele acorda. Era um sonho, claro. Já o sabíamos. Apenas um sonho - lagostas gigantes - um sonhozinho ridículo. Agora é hora de acordar, fechar as malas e ir para o aeroporto. "Que sonho tão estranho," pensa ele ao ir para o chuveiro - guerra, cadáveres - apenas um sonho - pessoas barulhentas a devorar lagostas - um sonho ridículo. Quando sai do hotel e chega ao aeroporto aind pensa no sonho que teve. Mas foi apenas um sonho. No mundo real não existem lagostas gigantes que trepam paredes e nos entram pela casa a dentro, nem homens que podem sobreviver debaixo de água - sonho ridículo - no mundo real respeitamos os animais e respeitamo-nos uns aos outros - sonhozinho ridículo - no mundo real não matamos outros seres humanos. Sim, é isso mesmo. No mundo real não fazemos isso. Foi apenas o que foi: um sonho.
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